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A falta de incentivo na educação e suas consequências para o jovem brasileiro

Campo Grande News, 11 de Janeiro, 2019
Recentemente dialoguei com uma amiga a respeito da péssima qualidade do ensino público no Brasil. Um amigo em comum – que já concluiu o ensino médio - perguntou em um de nossos grupos de WhatsApp se a cidade de Jerusalém se localizava na Itália. Ela respondeu corretamente à ele, e então, no particular iniciamos um debate sobre o assunto. Curiosamente não me espantei com a pergunta. É estranho refletir que um questionamento que pode parecer tão absurdo para alguns, me pareceu tão normal.

O ensino público no Brasil é uma lástima e pagar colégio particular em um país onde metade dos trabalhadores vive com menos de um salário mínimo por mês, está fora da realidade da grande maioria da população.
Sou formado em Engenharia Civil, mas cursei todo o meu Ensino Fundamental e médio na escola pública do bairro onde morava. Só pude ter noção da enorme diferença de ensino quando entrei no meu primeiro ano de faculdade.

Muitos colegas que vieram de escolas particulares levavam as matérias numa boa, enquanto eu sofria e muitas vezes ficava de dependência por não ter tido uma base de ensino onde deveria ter aprendido o mínimo necessário para iniciar os estudos em uma universidade.

Infelizmente, a falta de incentivo e o descaso com a educação brasileira criaram várias gerações que pensam pequeno. Quantas vezes já não ouvimos que os filhos são os reflexos dos pais?

De acordo com a “Síntese de Indicadores Sociais” divulgada pelo IBGE em 2017, menos de 5% dos filhos de pais sem instrução concluem o ensino superior. Está triste realidade é visível em nosso cotidiano. A tendência social é que os filhos não almejem uma profissão melhor do que a de seus pais, e quando almejam, muitas vezes não acreditam que seja possível realizar. Nada contra trabalhos braçais, são dignos como quaisquer outros, – meu pai trabalhou a vida toda como eletricista – mas o sonho de ter um curso superior deveria ser incentivado no país.

O ensino público está defasado. Pais mandam os filhos para as escolas na esperança de que estes possam estudar e ter melhores oportunidades no futuro, mas as expectativas não correspondem à realidade. Nos últimos 15 anos, criou-se no Brasil uma tendência no ensino público de que é mais importante passar de ano, do que aprender. A qualidade do ensino é precária e os professores não exigem muito para aprovar o aluno, independentemente de seu nível de ensino. Muitos destes estudantes não se esforçam, pois, para conseguir um emprego que não necessita de formação e seguirem os exemplos de seus pais, não é preciso estudar.

No Brasil não temos incentivo ao estudo. O jovem não enxerga recompensa em passar anos em uma sala de aula. Não vemos em propagandas, programas de televisão ou filmes nada que incentive ao estudo. É necessário que desde pequeno o aluno desenvolva uma consciência própria a respeito da importância de estudar, e se essa consciência não é transmitida através dos pais, é praticamente impossível que seja desenvolvida de maneira própria pela criança.


Campo Grande News, 11 de Janeiro, 2019