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Alunos de 9 a 12 anos garantem vaga no maior festival de animação das Américas

Campo Grande News, 13 de Junho, 2017
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O Anima Mundi, maior festival de animação do continente americano e o segundo maior do ramo no planeta, irá receber, neste ano, uma produção muito especial: um curta-metragem quase que completamente realizado por crianças de 9 a 12 anos, alunos da Escola Municipal Celina Martins Jallad, de Campo Grande.

“Cantando os Direitos da Criança” foi produzido ano passado, por meio de um projeto da professora e pesquisadora da faculdade de Educação da UFMS, Constantina Xavier Filha. Os jovens estudantes criaram todo o roteiro do filme e colocaram o projeto em prática, com a técnica de stop motion de recortes, sob orientação da professora. “A única parte que eles não foram responsáveis foi a parte de edição, que é mais técnica”, conta Constantina, ou Tina, como é mais conhecida.

Com o curta pronto, Tina fez a inscrição no Anima Mundi e a obra foi selecionada pela curadoria do festival, que acontecerá de 18 a 30 de julho, em São Paulo e no Rio de Janeiro. “Ficamos muito felizes”, diz. No total, foram cerca de 1200 filmes inscritos e 345 selecionados, de 45 países diferentes.

Projeto – Todo ano, a professora Tina Xavier escolhe uma escola diferente da Capital e, com autorização e acompanhamento dos pais dos alunos, promove discussões e debates dentro das salas de aulas. Ano passado, um dos principais temas foram questões de gênero, como violência contra as mulheres, assédio e outras temáticas. Este ano, ela está focando em debater violência contra crianças e direitos humanos.

A professora relata como muitas pessoas chegam a duvidar do potencial de entendimento e engajamento das crianças. Mas, de acordo com ela, os pequenos têm muita coisa a dizer sobre os assuntos. “Por meio de brincadeiras, desenhos e pequenos textos, elas começam a falar e a aprender sobre essas temáticas que estao muito próximas de suas vidas”, comenta. “A escola, geralmente, não propicia espaço para isso, acham que não é assunto de criança, mas é o contrário. Elas têm muito interesse, muita vontade, e em muitos casos estão vivendo situações de violência em casa, e querem falar”, completa.
Tina tem mestrado e doutorado em questões de gênero e sexualidade, e ressalta a importância de ter formação no ramo para abordar os assuntos com crianças e adolescentes. “Eu acredito que essas temáticas devem passar pela formação dos professores. Não é porque você é professor que terá condição de discutir esses temas”, opina. “As pessoas não sabem o que é gênero, existe hoje em dia uma visão extremamente equivocada como, por exemplo, o que vem sendo chamado ideologia de gênero. Não é nem uma teoria, é um equívoco”, aponta.

Após todo o processo de debates e conversas, a professora diz que há uma transformação nas crianças, especialmente na interação entre elas. O índice de bullying é reduzido, as crianças começam a ter novos repertórios linguísticos e acertivos, e muitas aprendem como agir em casos de vivenciar situações de violência.

“É um desafio enorme, a gente trabalha a questão do coletivo, do diálogo, do pensamento, a questão do lúdico e da criatividade”, avalia a professora. “O processo acaba sendo muito mais valioso que o produto”, finaliza.

A partir de toda a experiência adquirida ao longo dos debates, o curta-metragem vai surgindo, com total envolvimento e criação dos estudantes. O projeto de Tina já rendeu vários curtas e alguns deles podem ser conferidos no canal do Youtube criado pela professora.

No endereço, inclusive, é possível assistir um making of de “Cantando os Direitos da Criança”. O curta ainda não está disponível na internet por conta do regulamento do Anima Mundi 2017, mas deve ser publicado após o festival. Clique aqui para conferir os vídeos do projeto.


Campo Grande News, 13 de Junho, 2017